O embranquecimento racial remete a um contexto entre os séculos XIX e XX em que se defendia a melhoria genética do ser humano tendo como referência o branco europeu. A tese teve ampla divulgação no Brasil, o que se explica pela herança escravista. Aqui, o embranquecimento foi traduzido como legitimação de uma miscigenação entre os... Continuar Lendo →
Desmanche da globalização ocidental (Artigo de Jornal)
A desintegração da União Soviética, em 1991, contribuiu para romper as tensões ideológicas bipolares entre capitalismo liberal e comunismo estatal. O historiador F. Fukuyama no seu livro "O fim da história e o último homem", publicado em 1992, propôs o entendimento de que, a partir deste momento, a história da humanidade conheceria um novo patamar... Continuar Lendo →
Quem são os pardos no Brasil? (Artigo de Jornal)
Quem são os pardos? São eles negros? Ou são eles mestiços que aspiram a branquitude? O debate é fundamental para esclarecer a relação entre lutas étnico-raciais e democracia. Há setores do movimento negro que sustentam que a maioria dos pardos brasileiros são negros. O cálculo é duvidoso considerando haver muitos pardos entre militares de baixa... Continuar Lendo →
Racismo colonial (Artigo de jornal)
A tese do racismo estrutural sugerida por Silvio Almeida tem tido reconhecimento entre os estudiosos do tema, no Brasil, na medida que, segundo ele, a discriminação integra "a organização econômica e política da sociedade" (Almeida, 2019, p. 15). A tese é relevante por demonstrar que o racismo não é apenas expressão de comportamentos "anormais" de alguns indivíduos ou grupos... Continuar Lendo →
Soberania mutilada (Artigo de jornal)
Continuamos a viver, nesta segunda década do século XXI, os mesmos dilemas que nos marcam desde o período colonial, passando pelo Império e pela República. Estes dilemas têm relação com as dificuldades, sobretudo políticas, para a emancipação de um projeto de sociedade nacional. Pelo termo emancipação nos referimos à construção de uma autoconsciência cívica e... Continuar Lendo →
Liberdade e vida na política (Artigo de jornal)
Na terça, 7 de dezembro, Bolsonaro afirmou que se nega a adotar o 'passaporte da vacina' para viajantes. Disse: "Prefiro morrer do que perder minha liberdade". No mesmo dia, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, repetiu o presidente com o jargão: "Às vezes, é melhor perder a vida do que perder a liberdade". Num ambiente... Continuar Lendo →
Pra quê dinheiro? (Artigo de Jornal)
Episódio do podcast República de Ideias sobre o artigo. Na canção de Martinho da Vila, o dinheiro vale menos que a viola. A música, para ele, é garantia de vivência lúdica imperdível, pois sambar até o dia raiar é uma experiência que o dinheiro não paga. A mensagem da música é simples, mas convidativa por... Continuar Lendo →
Guerras neotribais na era digital (Artigo de Jornal)
M. Maffesoli (1988) sugeriu o termo neotribalismo para explicar a emergência de grupos urbanos moleculares que, para ele, constituiriam manifestações libertárias contra a cultura da massificação nas grandes cidades. Z. Bauman (1998), no entanto, viu o tema com outros olhos. Para ele, o neotribalismo revela a nova desordem do mundo gerada pelo neoliberalismo, pecando por... Continuar Lendo →
Brasil, um país ingovernável (Artigo de Jornal)
A vitória de Bolsonaro, em 2018, não foi mero acidente produzido por incompetência eleitoral dos adversários, por impedimento judicial da candidatura de Lula ou pela "facada" sofrida pelo candidato populista em Juiz de Fora, poupando o mesmo de expor suas fragilidades intelectuais num debate público. Essas explicações são insuficientes. Há algo mais estrutural a ser... Continuar Lendo →
O comunismo como metáfora do medo (Artigo de jornal)
Existem palavras que metem medo apenas ao serem pronunciadas. Comunismo é um desses termos que sugere a presença de um inimigo imaginário sempre à espreita. O termo se oferece para várias leituras. Karl Marx acreditava no socialismo científico e via a utopia do comunismo como resultado necessário do desenvolvimento contraditório do capitalismo de mercado. Sua... Continuar Lendo →
A arte de viver sem o futuro (Artigo de jornal)
O futuro sempre foi uma bolha de ilusões. Ele gera expectativas que não têm garantias factíveis. Ele é cria do presente, fruto das projeções de nossos desejos, crenças e frustrações. O debate é antigo. O filósofo Sêneca (2006), contemporâneo de Jesus, afirmava que "A expectativa é o maior impedimento para viver: leva-nos para o amanhã... Continuar Lendo →
Furtado e o projeto de Brasil-Nação (Artigo de jornal)
Recentemente, Rosa Freire, tradutora e ex-companheira de Celso Furtado lançou um livro de memórias do famoso economista intitulado Celso Furtado: Correspondência intelectual: 1949-2004 (Cia. das Letras). A obra revela a grandeza de suas ideias e o prestígio que tinha junto a personalidades internacionais - políticos, economistas filósofos e artistas - no pós Segunda Guerra. Sua ampla leitura da... Continuar Lendo →
Que o mundo antigo dominado pela ansiedade do consumo e da acumulação não tinha condições de continuar indefinidamente todos sabíamos. Os sintomas eram claros: crescimento da desigualdade, miséria, violência, devastação ambiental. A crença neoliberal de que o mercado regularia espontaneamente a sociedade demonstrou ser uma falácia. Mas não se imaginava que a situação limite seria... Continuar Lendo →
Uma das grandes lições que a pandemia do coronavirus revela é que Estado não quebra ao contrário do Mercado. Este, à primeira ameaça de crise, foge para lugares seguros. Na verdade, a ideia de que o Mercado poderia substituir o Estado como regulador da vida econômica e social era uma lenda. Os economistas neoliberais sabiam... Continuar Lendo →
Publicações recentes discutem a morte das democracias liberais (Runciman, 2017; Levitsky e Ziblatt 2018; Castells, 2018). A notícia surpreende os que se acostumaram com as democracias como algo natural, esquecendo que elas resultam de disputas importantes de narrativas sobre o com-viver numa comunidade ampliada. As democracias nascem, vivem e morrem assim como toda criação humana.... Continuar Lendo →
Em dezembro de 2017, escrevi um artigo no O Povo intitulado “Intenções ocultas do tal mercado neoliberal”. Explicava que a estratégia de hegemonia das elites financeiras e rentistas no interior do sistema de poder nacional passava pela ameaça velada de acionar a espada de Dâmocles. Ou se fariam reformas exigidas pelo Mercado como privatizações e... Continuar Lendo →
T. Bertherat no seu O corpo tem suas razões (1976), clássico da Antiginástica, refere-se ao corpo como uma casa, como uma unidade inseparável entre músculos, emoções e mente. O desenvolvimento deste método se fez paralelamente a outros como aqueles da bioenergética, das massagens, da alimentação balanceada, ao longo do século XX. Eles se posicionam em... Continuar Lendo →
Em matéria publicada no O Povo, há dois anos atrás, em novembro de 2017, intitulada “A multidão e a luta por visibilidade pública", escrevi sobre a relação ambígua entre multidão e democracia propondo que “A multidão pode fortalecer ou pode corroer o público democrático. Tudo depende dos dispositivos de produção e de valorização política do... Continuar Lendo →
As grandes cosmologias antigas representam a vida como ciclos recorrentes. No induismo, estes são personalizados por três trindades divinas formadas por duplas opostas e confluentes que organizam o universo: Brahma-Saravasti, expressando a criação; Vishnu-Lakshimi, a manutenção e Shiva-Parvati, a destruição das aparências. Na cosmovisão taoista a abertura e fechamento do ciclo cósmico também obedece a... Continuar Lendo →
Amor é uma das palavras mais citadas em músicas, filmes, livros e bate papos. Serve tanto para exaltar conquistas sexuais e sentimentais como para justificar lamentos e desilusões. O amor também é útil para canalizar sonhos de prazer: “amo viajar”, amor meu carro”, “amor minha roupa”. Mas a generalização gramatical do amor pode expressar não... Continuar Lendo →
Os sociólogos Giddens (1991) e Beck (1992) afirmam que entramos numa era de altos riscos, marcadas pela destruição e perda de confiança no progresso. Mas o que eles propunham como saída, uma análise reflexiva da modernidade, não está tendo suficientemente eco na política e na sociedade. Eles não entenderam que a desesperança pode levar justamente... Continuar Lendo →
A tradição budista prega a bondade fundamental como condição para a harmonia interior (Trungpa, 1992). No entanto, a tradução do termo no nosso imaginário cristão sofre, muitas vezes, uma inflexão ambígua em que o bem apenas se reconhece na luta contra o mal, o que se afasta claramente da dádiva franciscana. Para sair desta armadilha... Continuar Lendo →
Desde a Grécia a filosofia tem procurado valorizar alguns elementos considerados centrais para o sujeito se relacionar com o mundo como Humano: o conhecimento, como condição da verdade, o direito como condição do justo e a estética, como condição da beleza. Esta tríade clássica ganhou destaque na modernidade. Um discípulo de Hegel, o francês V.... Continuar Lendo →
A resposta depende da perspectiva de observação. Se for jogo do Brasil na copa do mundo todos são brasileiros, independentemente de condição social, de gênero, de etnia ou de religião. Se for manifestação de rua a unanimidade não é tão evidente. Vestem a camisa verde e amarela o grupo que se identifica como genuinamente defensor... Continuar Lendo →
A democracia é como um ente amado que admiramos, mas que ou não conhecemos bem ou resistimos a acolher sua generosidade. Ela é o regime político mais complexo que já criamos, permitindo conciliar liberdades individuais e coletivas, respeitando as diferenças. As sociedades que a conhecem, lutam para preservá-la; as que a perderam sonham com seu... Continuar Lendo →