O corpo tem suas razões amorosas (Artigo de jornal)

T. Bertherat no seu O corpo tem suas razões (1976), clássico da Antiginástica, refere-se ao corpo como uma casa, como uma unidade inseparável entre músculos, emoções e mente. O desenvolvimento deste método se fez paralelamente a outros como aqueles da bioenergética, das massagens, da alimentação balanceada, ao longo do século XX. Eles se posicionam em sentido inverso ao método ocidental cartesiano que propunha o corpo como um sistema formado estruturalmente por partes separadas, como as de um relógio, e que inspirou a biomedicina moderna.

Esta reviravolta aconteceu a partir da divulgação no Ocidente de métodos e práticas orientais como yoga, acupuntura, shiatsu, alimentação vegana, artes marciais entre outras. Constatamos, porém, que a introdução das novidades orientalistas se fez, muitas vezes, de forma fragmentada e guiada por impulsos consumistas. O consumismo inibiu o entendimento do corpo como totalidade sistêmica, reforçando a visão fragmentada. No momento, há uma consciência ecológica emergente que está ajudando esta integração. Os agrotóxicos, o desmatamento irracional e a poluição do ar vêm levando muitos indivíduos a entenderem que o corpo tem suas razões e que nossa sobrevivência depende de uma compreensão integrativa da vida. 

A filosofia taoista clássica chinesa dá umas dicas interessantes para uma visão mais ecológica do corpo. Ela sugere haver três princípios a serem observados: o primeiro é o da limitação. Meditando sobre nosso corpo vemos que ele é constituído por uma relação tensa entre unidade e dualidade, um corpo que se desdobra em orifícios, braços e pernas separadas. A vida se dá nestes limites. O segundo princípio é o do movimento. O corpo se transmuta sempre pela unidade na dualidade: inspiração e expiração. O terceiro é o da consciência. A gestão dos limites corporais depende de se encontrar o Caminho do Meio entre as tendências opostas do Yin e do Yang. Pessoas inconscientes reagem de modo desequilibrado aos humores do coração; pessoas conscientes organizam suas decisões para uma vida amorosa e moralmente saudável.

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