Corrupção e trapaças do poder

Corrupção é uma palavra que tem ressonâncias políticas intensas dependendo do modo como ela é usada como narrativa de poder. Ela gera indignações aparentemente profundas do que se autodefinem como “honestos”, mas funciona como um atrator irresistível para aqueles indivíduos cujas honestidades são negociadas quando aparecem oportunidades de vantagens pessoais mesmo que às custas do direito alheio. Existem pelo menos três tipos de corrupções que, na prática, estão quase sempre emaranhados. O primeiro, que mais sensibiliza a opinião pública, é a corrupção como ação ilegal de subornar alguém para obtenção de vantagens pecuniárias pessoais ou de influências em decisões públicas.

O segundo tipo de corrupção é menos evidente para a opinião pública. Trata-se de manipular recursos públicos para garantir financiamentos para partidos e campanhas ou para financiamentos para partidos e campanhas ou para favorecimento de lobbies como são os casos de emendas parlamentares e “orçamentos secretos”. Esta modalidade não é necessariamente ilegal mas é imoral pois justifica a apropriação de recursos públicos por políticos buscando oxigenar os sistemas partidário e corporativo.

O terceiro tipo de corrupção é fabricado por guerras de narrativas quase sempre ficcionais que não se referem necessariamente à realidade factual. Este tipo tem efeito letal quando destrói méritos e cancela currículos. Corrupção, aqui, é uma arma estratégica usada com a finalidade de trapaça, destruindo os rostos de “inimigos” para proteger “amigos”. As provas são fabricadas pelos esquemas de poder de modo a dar veracidade à ficção como foi o caso típico da “Lava Jato” já juridicamente desvendado. “Tio Sam” tem usado esta terceira narrativa como recurso para golpear governos democráticos e favorecer interesses de grupos privados.

O golpe contra Dilma em 2016 é um destes exemplos que redundou, como vimos no assalto de grupos norte-americanos à Petrobrás e nas tentativas de apropriação das riquezas minerais da Amazônia. A única alternativa para a corrupção como processo de degeneração moral é, sem dúvidas, a transparência das decisões públicas.

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