Furtado e o projeto de Brasil-Nação (Artigo de jornal)

Recentemente, Rosa Freire, tradutora e ex-companheira de Celso Furtado lançou um livro de memórias do famoso economista intitulado Celso Furtado: Correspondência intelectual: 1949-2004 (Cia. das Letras). A obra revela a grandeza de suas ideias e o prestígio que tinha junto a personalidades internacionais – políticos, economistas filósofos e artistas – no pós Segunda Guerra. Sua ampla leitura da realidade nacional me estimulou a escrever um texto intitulado “Furtado: um polímata visionário” (https://ateliedehumanidades.com/2021/05/10/fios-do-tempo) que foi apresentado no debate do livro.

Nele, expresso minha admiração por sua ampla visão de mundo e seu interesse por disciplinas variadas como economia, filosofia, sociologia e arte. Porém, o mais relevante é sua personalidade visionária. Nas cinzas da Segunda Guerra o pensamento de Furtado emerge como um fênix para esculpir a ideia de desenvolvimento como um programa humano envolvendo necessariamente a articulação das questões econômicas, políticas e sociais. Sua preocupação com o planejamento do futuro da Nação através da organização de um dispositivo como o Estado visto como estratégico para o desenvolvimento territorial planejado continua da maior atualidade.

Os países que têm boa posição no ranking do desenvolvimento mundial, hoje, possuem aparato estatal bem organizado, confirmando seu lado visionário. Se estivesse vivo, Furtado iria, certamente, repensar o desenvolvimento nacional, incluindo a modernização descentralizada do aparelho estatal e o tema da sustentabilidade ambiental. Pensaria nos desafios de criação de generosas políticas públicas de promoção da cidadania para valorização moral, psicológica e política do ser humano. Ele também tentaria entender como organizar programas de capacitação gerencial e política para as elites dirigentes. Esta é uma questão complexa porque estas elites continuam prisioneiras de uma visão de mundo ultrapassada ainda relacionada com as tensões da “guerra fria“. Elas não entendem os novos desafios de fundação de uma sociedade nacional complexa no mundo atual.

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