Ilusões da antipolítica

Crônica publicada no Jornal O Povo (Ceará) em 23/09/2026

Aristóteles definiu a política como a atividade voltada para atender o bem comum segundo um princípio ético compartilhado, inspirando a felicidade e a vida boa numa cidade (pólis). Esta proposta de política está relacionada com outra invenção dos gregos, a da democracia: aquele regimeAristóteles definiu a política como a atividade voltada para atender o bem comum segundo um princípio ético compartiAristóteles definiu a política como a atividade voltada para atender o bem comum segundo um princípio ético compartilhado, inspirando a felicidade e a vida boa numa cidade (pólis). Esta proposta de política está relacionada com outra invenção dos gregos, a da democracia: aquele regime político que, diferentemente das oligarquias e das monarquias, fosse capaz de assegurar o poder dos cidadãos pela deliberação direta de assuntos coletivos.

Atualizando o debate, constatamos que o humanismo grego que inspira historicamente nossas instituições democráticas como valor universal está sendo contestado. Não porque seja mais difícil pensar a participação do povo num estado-nação que numa cidade-estado, mas por haver uma desistência da política participativa e da democracia por parcelas representativas de governantes e de governados. Os interesses utilitaristas e egoístas se impõem sobre o valor do que é público, ameaçando romper o arco de solidariedades cívicas. A desvalorização do princípio universal do republicanismo democrático enfraquece os direitos de cidadania e abre as portas para o arbitrário. Estas tendências antidemocráticas enfraquecem as instituições jurídicas e políticas que deveriam garantir os usos das riquezas nacionais em favor da comunidade de cidadãos brasileiros.

A antipolítica emerge neste contexto de descrédito e de apatia, levando os indivíduos a desconfiarem das instituições democráticas. Isto favorece a emergência de lideranças demagógicas que manipulam as massas com falsas promessas de redenção. Em nome da luta contra um “sistema político” visto como corrompido, tais figuras oportunistas podem destruir as instituições democráticas em favor de grupos corporativos poderosos.  Na prática, estas ilusões perigosas da antipolítica revelam a obscuridade da antidemocracia. Reforçam os mecanismos de desigualdades e ameaçam os direitos adquiridos de igual humanidade. As memórias de violência e corrupção das ditaduras na América Latina parecem não sensibilizar muitos brasileiros/as sobre as consequências nebulosas do autoritarismo. A adesão gratuita à extrema direita pode sair bem cara para a democracia e para o país. As próximas eleições no Brasil vão revelar o que de fato os brasileiros preferem como destino.as. A desvalorização do princípio universal do republicanismo democrático enfraquece os direitos de cidadania e abre as portas para o arbitrário. Estas tendências antidemocráticas enfraquecem as instituições jurídicas e políticas que deveriam garantir os usos das riquezas nacionais em favor da comunidade de cidadãos brasileiros.

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