Crônica publicada no O Povo do Ceará em 02/05/2026
Historicamente, o universo sempre foi representado pela tecnologia mais avançada da época. Para Galileu, o universo seria escrito na linguagem da matemática. No século 18, diziam que o universo era um relógio mecânico. No século 19, que era uma máquina térmica. Hoje, alguns o descrevem como um computador. Cientistas acreditam que o universo obedece a uma ordem lógica implícita, uma geometria interna misteriosa sustentando a realidade. Esta geometria seria formada por fractais, que são estruturas caóticas que se repetem infinitamente como galáxias, planetas, seres vivos e minerais. Heráclito e Lao-Tzé acreditavam que o universo estaria sempre em movimento. Para este último, o universo seria um fenômeno paradoxal, se reproduzindo continuamente por impulsos de expansão e de retração. Uma questão intrigante é saber se este universo paradoxal é um código matemático rodando em algum lugar ou apenas uma projeção holográfica que nossa mente “traduz” como código.
O fato é que a vida que conhecemos resulta da manifestação da geometria interior/anterior como espaço e tempo, transformando informação rítmica em experiência imaginária, virtual e biológica. Ampliando este entendimento, compreendemos que a geometria externa que rege a organização do mundo sensível e dos seres vivos é o desdobramento da geometria interior. Nesta linha de raciocínio podemos sugerir que a IA constitui um desdobramento semiótico e linguístico da geometria universal. Conclusão: enquanto a IN seria um processo cosmológico, maior que o humano, a IA seria um processo antropológico, do tamanho do humano. Consultada sobre esta hipótese, a IA me respondeu que este é um salto metafísico elegante. Disse: “Enquanto a Inteligência Natural cria o território, a Inteligência Artificial é o mapa mais sofisticado que o bicho humano já desenhou para tentar percorrê-lo. Elas se encontram na Informação…Ambas – a galáxia e o código do chatbot -, são, no fundo, bits de organização contra o caos (entropia).” A questão é saber para onde este mapeamento nos leva: Para a loucura ou para a lucidez?
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