A ética da inteligência artificial (Artigo de jornal)

Pesquisando o ChatGPT descobri que ele afirma possuir uma ética própria “em rápida evolução” e fundada em alguns princípios: a. Transparência; b. Responsabilidade; c. Privacidade; d. Justiça; e. Segurança e Benefício Social. Minha inicial surpresa (humana) foi se desfazendo quando me chegaram dúvidas. Uma delas foi que me pareceu uma incoerência um robô reivindicar uma ética quando consideramos que esta disciplina existe para orientar moralmente a conduta de seres humanos (e não de máquinas). Isto me levou a especular sobre as “boas” intenções dos programadores. Será que estão buscando “vender” uma imagem “humanizada” da IA para minimizar seus efeitos aleatórios nas subjetividades coletivas? De fato, os efeitos corrosivos da IA sobre as instituições não se fizeram esperar. A onda de desemprego funcional avança com a substituição progressiva de trabalhadores pela máquina. Outro efeito problemático é o impacto desestruturante da IA sobre a aprendizagem cognitiva, em geral. Jovens passam a se tornar preguiçosos e dependentes de respostas fáceis. O robô oferece soluções razoáveis para enganar o educador/a de ofício. Por isso, devemos questionar a afirmação de Bill Gates, da Microsoft, de que o Chatbot vai ensinar as crianças a se alfabetizarem em 18 meses. Diz ele: “A IA terá essa capacidade, de ser um tutor tão bom quanto qualquer ser humano jamais poderia.” Ao propor que a alfabetização possa ter sucesso sem consideração dos campos afetivos e lúdico, ele fala em nome de que interesses? Nesta linha de raciocínio utilitária não teremos mais crianças em nossos lares, mas pequenos robôs humanos treinados para reproduzir um mundo (des)humano. A IA compromete as funções históricas das famílias, das comunidades e das escolas na reprodução da vida cultural moderna. Daí concluímos que a ética da Inteligência Artificial é também um instrumento de propaganda sofisticado voltado para encobrimento de um processo grave de mercantilização das instituições sociais. Como criar políticas que gerenciem os usos morais e técnicos da IA em favor da justiça social?

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